URBANO & SINGULAR
Ah, cansei dessa vida urbana e singular,
quero ser plural, hegemônico e decisivo.
Não quero mais excessos nas relações;
dispensarei os desafetos.
Pagarei justo preço a cada relacionamento,
um tanto acima do valor real, talvez.
Justa recompensa à teatralização privada!
Ah, cansei dessa vida urbana e singular,
de toda farsa contida nas relações,
no jogo do interesse,
na latente maldade,
escondida por detrás das benesses,
do doce e feroz veneno da seiva da salivada
ferina língua, que, em profusão, faz escandalizar,
em forma de palavras, o mais pueril dos sentimentos.
Ah, puta que pariu!
Cansei dessa vida, urbana e singular,
enjoei daqueles singelos amigos,
que mesmo abraçados,
apunhalavam-me às costas.
Mato cachorro, com gritos;
retiro a chupeta da criança faminta;
piso no calcanhar ferido do Aquiles...
tudo isso, apenas pelo cansaço,
pelo o desejo de não ser mais singular,
apenas plural.
E, PHODA-SE o resto,
uma vez que o resto, é sobra!
Gê!®


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