sábado, 23 de fevereiro de 2013

URBANO & SINGULAR


URBANO & SINGULAR


Ah, cansei dessa vida urbana e singular, 

quero ser plural, hegemônico e decisivo.
Não quero mais excessos nas relações;
dispensarei os desafetos. 

Pagarei justo preço a cada relacionamento, 
um tanto acima do valor real, talvez. 
Justa recompensa à teatralização privada!

Ah, cansei dessa vida urbana e singular,
 de toda farsa contida nas relações,
no jogo do interesse, 
na latente maldade, 
escondida por detrás das benesses, 
do doce e feroz veneno da seiva da salivada
ferina língua, que, em profusão, faz escandalizar,
em forma de palavras, o mais pueril dos sentimentos.

Ah, puta que pariu!

Cansei dessa vida, urbana e singular,
 enjoei daqueles singelos amigos,
que mesmo abraçados,
apunhalavam-me às costas.

Mato cachorro, com gritos;
retiro a chupeta da criança faminta; 
piso no calcanhar ferido do Aquiles...

tudo isso, apenas pelo cansaço, 
pelo o desejo de não ser mais singular, 
apenas plural.

E, PHODA-SE o resto, 
uma vez que o resto, é sobra! 

Gê!®

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