domingo, 24 de fevereiro de 2013

NA FESTA DO ARROMBA

NA FESTA DO ARROMBA

E eu a entrar na estrada dos velhos e a imaginar como será eu, lá com os
meus setenta e poucos, todo animadinho, numa noite de sexta-feira, a
chamar os amiguinhos da velha guarda, para juntos realizarmos aquela
cerimônia ao sagrado deus Baco, aquele que tudo permite, em favor da
satisfação da carne e dos desejos inconfessáveis. 

E lá estarei eu, junto com nós todos, com ceroulas, dores reumáticas,
bengalas e contos de vantagens sobre quem é capaz de dar três, sem
botar os bofes para fora, não explicitando se essas três seriam ou não,
apenas tentativas de um corpo, quase inerte e maltratado pelo o tempo...

Penso na minha triste figura de velho homem safado, que tudo quer,
mas que pouca coisa conseguirá realizar, e na calada da minha frustração,
restará-me as longínquas lembrança de um passado que um dia me pertenceu,
e isso, apenas isso, será capaz de deixar-me orgulhoso, mesmo que, por alguns
instantes, com aquilo que restou de mim.

Mentira se dissesse que essas coisas não me assustam, pois assustam sim!

Gê!®

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