quarta-feira, 2 de junho de 2010

Somente por enquanto....

Somente por enquanto....


...Enquanto alguns perdem; outros acham;
Enquanto o alimento ainda existe a mesa, a fome insiste no ser,
que não sabe bem o que querer para, enfim, saciá-lo,
do desejo infinito que o consome, a sede de viver.

Enquanto escuta-se alguém, perde-se a oportunidade de falar;
Enquanto o sono tranquilo não chega, permanecem conosco as incertezas
de mais um dia que alcançaremos, na indesejada viagem que,
mesmo sem querer, fazemos, a querer frear o tempo,
cujo relógio não para.

(O tic tac sombrio, assusta!)

Por enquanto, somente por enquanto,
elevo meus pensamentos aos mais baixos degraus,
permito-me a insanidade leviana de poder pensar aquilo que ninguém entende,
às vezes, nem eu; por vezes, somente eu a entendo...

Busco nas salientes palavras, que teimam em sair desnudas,
a exposição das mais conturbadas sentenças,
que todos temos, porém negamos, mas,
isso, somente por enquanto...

O tic tac sombrio, cala a alma, emudece a reflexão e, faz a gente dormir....

Gê!®

sexta-feira, 28 de maio de 2010

QUERO DE VOLTA...

Quero de volta toda a ingenuidade que um dia tive e, que tanto não fazia-me mal;
Quero novamente, a sensibilidade dos tolos, pois tolo sou, com orgulho e honra.
Voltar a enxergar aquilo que é visto por quase ninguém; gargalhar em alto som, sem a devida preocupação do exagero ou da repreensão da atitude inapropriada.

Desapropriada sanidade, que tanto nos embrutece, adulterando a lógica da simplicidade do viver, tornando-nos apenas mais um, entre tantos, na multidão que caminha, sem rumo, ou certeza da exatidão do destino, contudo, sem deixar transparecer o pavor que a maturação traz.

Quero de volta, bradou menino que jaz calado, emudecido em ferétro, que a alma produz e armazena, o retorno dos pensamentos, que um dia foram esquecidos, guardados num canto qualquer, porém, tão importantes à constituição genérica daquilo que um dia fomos e, talvez necessária ao que um dia seremos...Nada!

Pensando bem, mais do que os sonhos, desejo os pesadelos, pois esses, sim, companheiros de verdade, deixam-me de olhos atentos, até quando preciso dormir.

Gê!®

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Banalidades


Perambulo entre os pensamentos soltos e vazios; vivo a vagar sem rumo, sem destino certo e, muito menos, com pressa alguma, o tempo é irrelevante nesses momentos fugazes, pueris.

Vislumbro o imenso fracasso dos seres em temerem a morte, desejos pela contemplação da vida, quem sabe, eterna, que jamais chega, afinal, todos morrem...

Maravilhado fico ao perceber que não estou sozinho entre os pensamentos, uma vez que muitos viajam na mesma trilha, possivelmente, por causa do preço, já que, sonhar não custa nada...a não ser o próprio pensamento, solto, vazio, leve feito chumbo derretido, suave como o barulho da sirene da ambulância, que parte rumo ao desconhecido que, moribundo, temendo a morte que lhe ronda, clama por socorro.

Como é incrível enxergar nos outros, aquilo que tão bem guardamos dentro de nós, a hipocrisia!

Fantástica condução humana que, transpõe todas as barreiras do impossível e, consegue fazer coisas que, já nem sei se os deuses, ainda, duvidam.

Quão poderosa é a arte do pensar, pois, com as reflexões, garantidas como bônus, mais e mais milhas conquistamos, bastando tão somente à disposição, visto que, nem de mala precisamos e, nessa viagem insólita, a melhor companhia é a nossa própria, conhecedora das nossas limitações e, compreensiva com os intermináveis descasos que damos aos fatos relevantes e, infundadas preocupações mantidas diante das futilidades...

Penso, logo, isso nada quer dizer!

Sou a praticidade em pessoa, quando o assunto é o relativismo, penso na morte, mais do que na própria vida, calculo as horas que ainda me cabem, pouco mais de 216mil/h ainda tenho, se contingência não ocorrerem, mas, ao contrário da maioria, não desejo todo esse tempo, pois, com o passar dos anos, tudo se parece reprise; nem a nova mulher amada, parece ser tão encantadora, embora seja, afinal, já foram tantas...

Com o tempo, por mais criativo que sejamos, tudo fica repetitivo, dá moleza, desmotiva, perde a graça e, o sorriso que é esboçado, é, antecipadamente preparado, de acordo com a clientela, parece que perdemos o romantismo da surpresa, do autoencatamento, automático ficamos. Não aprecio disso!

Hoje, mais maduro, começo a entender aqueles que dão fim à própria vida, coisa que antes recriminava, não recrimino mais, e, quem sabe, um dia também não seja esse o nosso destino, afinal, não há coisa mais chata do que a reprise da reprise da reprise, pelo menos, eu acho.

Enquanto não chega ao final dessa já conhecida estória, vamos, entre bocejos, assistir a tudo, sem dar muita atenção à coisa alguma; olhar com desdém às cenas que tanto fascinam a quem assiste pela primeira ou segunda vez e, dar gargalhada da seriedade com que é levado cada capítulo, uma vez que sabemos que, no final tudo dá certo e, se não dá, fingimos...está tudo certo!

Banalidades.

Penso, logo, isso nada quer dizer!

Na banalidade dos meus pensamentos, penso! Imagino questões indissolúveis, procuro solucioná-las, na medida do impossível.

Capítulos são encerrados a cada instante, em nossas vidas.

Jamais o amor prevalece, afinal, trata-se apenas de uma palavra que, megeramente, utilizamos para conquistar nossos fins, nem sempre sublimes, mas, de toda prova, necessários ao nosso prazer de conquistar.

Cartas são expostas à mesa o tempo inteiro; jogamos como ninguém, até quando não é preciso o acerto, mas jogamos pelo simples desejo de apostar nossas fichas, nosso saber e poder.

Adoro o poder!

Perdemos os segundos que passam, e nem reclamos, embora sejam de suma importância, muito mais importante do que qualquer outra coisa nessa imunda vida, então, por que reclamamos tanto pelas besteiras perdidas?

Os ciclos são intermináveis, enquanto a vida teimar em existir; somos o que somos, não o que aparentamos ser, a hipocrisia tem a nossa cara.


Penso, logo, isso nada quer dizer!

Gê!®

sábado, 2 de janeiro de 2010

Reflexão vazia

Reflexão vazia

Buscar na simbologia das palavras a melhor expressão para o entendimento do que se pensa não é tão fácil quanto parece ser, visto que cada palavra tem um peso diferente para cada pessoa e, nem sempre o significado corresponde àquilo que desejávamos expressar.

O desejo de fazer-se compreendido e aceito ao meio, torna-nos escravos de opiniões que nem sempre compactuamos; defendemos o que não acreditamos, assim como levamos à crítica pensamentos que julgamos valorosos, mas a aceitação vem em primeiro lugar e nem sempre opiniões são aceitas...

Nesses momentos de reflexões vazias fico a imaginar o quanto verdadeiramente conheço aqueles com quem convivo ou se sou realmente conhecido por eles, já que o reconhecimento que temos é fruto da exposição de uma opinião coletiva, muitas vezes mal entendida por nós, mas que ao relatarmos cai bem na graça dos outros que, por vezes, também não compreendem, mas nem por isso desejam ficar mal com o coletivo social.

Entediado, observo calado os olhares perdidos, sempre concentrados em rodas de amigos, ou supostamente isso, a procura das melhores respostas, a performar todo o cerimonial necessário à convivência, por mais inócua que seja, mantendo invisível seus verdadeiros pensamentos; suas opiniões, aparentemente irrelevantes, porém efusivamente aplaudidos e estimados, mesmo que sob a capa da mentira, da ilusão ou de posições nada sinceras.

Nesses momentos, questiono-me sobre a real necessidade do ser; se ser o que não é, não é ser, não é existir, portanto o pensamento não deve ser coletivo, mas individual, todavia, sempre compartilhado.

Maravilhosa conduta humana que, mesmo com toda a hipocrisia, faz a gente pensar.

Cordialmente,
Gê!®