DESIDERATO II
Sempre quis fugir do regime...talvez por isso, seja gordinho, sei lá!
Viajei por entre comunidades alternativas, em plena década de 1980;
transgredi nos amores duplos e triplos, nas orgias inocentes.
Nunca quis ser dono de gente, embora estivesse "casado" por algumas
vezes; sempre olhei com certa desconfiança o pronome "meu", quando
se tratava da posse sobre os desejos de alguém sobre essa carcaça que,
por acaso sou eu.
Sempre gostei dos laços sem nós; do envolvimento por pura paixão,
mas sem qualquer amor ou sentimento menor; da posse, do medo
de perder aquilo que nunca se teve.
O aprisionamento entristece, pois nunca vi passarinho na gaiola cantar
de felicidade...há sempre uma amargura ou uma tristeza no lindo som que,
embora lindo, sai daquele presídio.
Quero e vou, continuar a transgredir.
Quero aquela que enche os meus olhos,
junto com a sua melhor amiga;
Quero a mãe, como quero a filha;
Quero o dia, como desejo a noite...
Beijar na boca, não é assinatura de nada...
É apenas beijo na boca, coisa de desejo, de volúpia e de paixão.
A união dos corpos é bonita, mas não deve ser eterna, o que é
eterno entedia e morre algum dia, enquanto o imprevisto aviva,
esquenta, senão morna, mas impulsiona e alegra.
Prostituído pela as esquinas da vida, serei daquela que der mais valor
ao meu jeito diferente de ser, contudo, por apenas um momento exato,
igual fazem aquelas que são do ramo, e vivem de braços em braços,
entre abraços e carícias.
Muito provavelmente seja da nossa natureza ter esse controle absoluto que
rege a nossa vida; esse monte de regimento; essa coisa asquerosa,
mas nunca quis isso para mim.
Sempre quis fugir do regime....talvez por isso, seja gordinho, sei lá!
Gê!®


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