Só agora, no início do meu segundo, e último, tempo de vida, começo a identificar a real persona das pessoas; só agora, somente agora, descubro como é falsa a honestidade, e nos mínimos detalhes, nos encontramos com aqueles que de uma forma, ou de outra, podem nos jogar ao mar, sem prévio aviso.
Seja naquele amigo de anos, que tantos favores nos deve; seja com a servidora, que sempre fizemos questão de honrar o seu trabalho, com o pontuoso pagamento, ou com o pedreiro, que ao acreditar que temos mais do que ele, não se encabula de meter-nos a mão, na hora de um orçamento.
Por que é que as pessoas são assim? É o que pergunto-me a todo instante!
Como qualquer mortal, também tenho os meus sonhos; os meus planos; o meu desejo de prosperar, mas, em momento algum da minha vida, desejei a vitória sem que fosse com o meu próprio esforço, afinal, que graça tem ganhar, se for roubado?
Enquanto isso, observo, aos montes, a auto-proclamação de uma honestidade que, nem de longe, se faz presente nas atitudes, nos comportamentos e nas ações diárias...
E novamente, penso a cá comigo: "Qual é a finalidade disso tudo?"
Aturdido, não encontro respostas, se não, a de que a hipocrisia sempre ganha da honestidade.
O caráter acabou!
A honra foi morar muito longe...Só nos sobrou o que há de pior; aquilo que ninguém mais quis; ficamos com o lixo de nós mesmos, felizes da vida com o resto que nos cabe!
Gê!®


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