Um dia, cresceremos, deixaremos essas brincadeiras bobas e sem graça de lado e viveremos a vida dos mais velhos....
Sentaremos numa linda cadeira posta num canto de uma varanda; seremos atendidos em todas as nossas vontades; muitos prestarão atenção à nós e cuidados nos darão.
Vai ser muito legal, ter a atenção de todos....
Aos domingos, a casa estará cheia de gente, pessoas, inclusive, que nem conhecemos ou que apenas vimos algumas poucas vezes e as cumprimentamos apenas com um sorriso saliente nos lábios ou apenas com um simples aceno...
Acreditando ser amados, felizes ficaremos!
Assistiremos televisão na varanda, sim! Porque nessa varanda haverá televisão...
As pessoas serão limpinhas, andarão sempre de branco o dia inteiro e à noite também...
Mas, ai vem a verdade!
Nada mais terá sentido, pois estaremos todos, guardados, escondidos em um asilo, raramente lembrados por todos que um dia nos foram queridos, pessoas que tanto amamos e que jamais deixaríamos que algo do mal lhes acontecesse....
Apenas tratados porque pagamos com os míseros recebimentos de uma vida de sofrimentos; tratados como parvos, alimentados e trocados por pura obrigação empregatícia e nada mais do que isso.
Um asilo!
Talvez seja tudo os que nos espera no dia em que crescermos e mais velhos ficarmos...
Sei lá, acho que não é questão de querer assim ou assado, as coisas acontecem, as pessoas envelhecem sem que se perceba direito, um dia, se está bem, dorme adulto e quando menos se espera, alguém dá o sinal, o alerta fatal, chamá-lhe de "coroa", de "velho" e pronto, você está acabado e, por causa desse maldito apelido, todos os males acordam contigo, levantam-se primeiro, impedindo-lhe a possibilidade da normalidade do cotidiano de anos...Tosse; artroses; mal disso; mal daquilo....Uma merda!
Não demora muito, descobre-se que viver não é mais a mesma coisa, que nada é mais tão simples como antes era; que sua vida começa a atormenta e atrapalhar a vida dos outros e, nesse instante, lúcido e coerente, não resta outra alternativa do que, de forma voluntária resolve seguir, ainda com as próprias pernas, para um asilo....
....Isso, se as posses financeiras permitirem, pois um cantinho desses, por mais humilde que seja, não é barato, nada nessa vida é de graça, tudo tem o seu preço, muitas vezes com valorosos ágios.
Mas a vida é assim mesmo, se nascemos, devemos crescer, tornarmo-nos adultos, envelhecer e, com alguma sorte, morrer com dignidade, pelo menos.
Carinhosamente,
Gê!
Sentaremos numa linda cadeira posta num canto de uma varanda; seremos atendidos em todas as nossas vontades; muitos prestarão atenção à nós e cuidados nos darão.
Vai ser muito legal, ter a atenção de todos....
Aos domingos, a casa estará cheia de gente, pessoas, inclusive, que nem conhecemos ou que apenas vimos algumas poucas vezes e as cumprimentamos apenas com um sorriso saliente nos lábios ou apenas com um simples aceno...
Acreditando ser amados, felizes ficaremos!
Assistiremos televisão na varanda, sim! Porque nessa varanda haverá televisão...
As pessoas serão limpinhas, andarão sempre de branco o dia inteiro e à noite também...
Mas, ai vem a verdade!
Nada mais terá sentido, pois estaremos todos, guardados, escondidos em um asilo, raramente lembrados por todos que um dia nos foram queridos, pessoas que tanto amamos e que jamais deixaríamos que algo do mal lhes acontecesse....
Apenas tratados porque pagamos com os míseros recebimentos de uma vida de sofrimentos; tratados como parvos, alimentados e trocados por pura obrigação empregatícia e nada mais do que isso.
Um asilo!
Talvez seja tudo os que nos espera no dia em que crescermos e mais velhos ficarmos...
Sei lá, acho que não é questão de querer assim ou assado, as coisas acontecem, as pessoas envelhecem sem que se perceba direito, um dia, se está bem, dorme adulto e quando menos se espera, alguém dá o sinal, o alerta fatal, chamá-lhe de "coroa", de "velho" e pronto, você está acabado e, por causa desse maldito apelido, todos os males acordam contigo, levantam-se primeiro, impedindo-lhe a possibilidade da normalidade do cotidiano de anos...Tosse; artroses; mal disso; mal daquilo....Uma merda!
Não demora muito, descobre-se que viver não é mais a mesma coisa, que nada é mais tão simples como antes era; que sua vida começa a atormenta e atrapalhar a vida dos outros e, nesse instante, lúcido e coerente, não resta outra alternativa do que, de forma voluntária resolve seguir, ainda com as próprias pernas, para um asilo....
....Isso, se as posses financeiras permitirem, pois um cantinho desses, por mais humilde que seja, não é barato, nada nessa vida é de graça, tudo tem o seu preço, muitas vezes com valorosos ágios.
Mas a vida é assim mesmo, se nascemos, devemos crescer, tornarmo-nos adultos, envelhecer e, com alguma sorte, morrer com dignidade, pelo menos.
Carinhosamente,
Gê!



2 comentários:
Vida,
É uma grande verdade tudo isso, tenho vivenciado nos últimos meses a constatação deste fato, é muito triste mas é a mais pura verdade.
Todos que ali estão, séquidos de pelo menos um abraço e nem isso eles tem de quem lhes são caros no coração.
Queria poder dar meu amor a cada um deles para amenizar seus sofrimentos, mas não há nada no mundo que substituirá a dor de cada um, o abandono é muito cruel.
Obrigada pela visita, volte sempre!
qto ao texto, eu sei que isso é verdade, deve ser muito triste mesmo ir para um asilo, mas eu prefiro não sofrer por antecedência... eu sonho com uma velhice feliz, acho que vou ser igual a Dona Benta, cercada pelos meus netinhos, branca e gorda! rs
fique com Deus.
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