quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Momentos



"Toda verdade passa por três estágios. Primeiro, é ridicularizada. Em segundo, é violentamente refutada. Em terceiro lugar, é aceita como sendo uma clara evidência" (Arthur Schoppenhauer)

E assim é tudo na vida...

Houve um momento em que via nas paredes imagens de deidades que, através de suas sobras, pareciam querer dizer-me algo, ora felizes, ora tristes e até mesmo zangadas ou aborrecidas, mas sempre mantendo-se como figuras divinas, isso fazia-me um ser apaixonado pelas lindas paredes que, necessariamente, não eram tão lindas, mas sempre paredes...

E por falar em paredes, nada melhor do que as paredes para mostrar-nos como um espelho revelador, acredito que as paredes são mais do que parecem ser, afinal, quantos segredos escutam; quantos crimes presenciam e, de quantos atos libidinosos são cúmplices...

Alguém já se deu conta disso?


Também já tive meus amores por árvores; suas folhas verdes e cheirosas; sua idade que é acompanhada pela grande sabedoria do tempo, como isso me fascinava...

Volúvel, passei a admirar as montanhas, pois pareciam ser mais difíceis de serem conquistadas, ledo engano, pois a cada passo de aproximação, mais perto de mim elas ficavam, mostrando-me suas trilhas, trilhas lindas, por onde eu me realizava em gozo pelo puro prazer de ali estar.

Hoje encanto-me com o mar, mas dele tenho medo, ou respeito, talvez por não se mostrar sexualmente camarada e tampouco feminino, mas confesso que minha admiração é imensa, com a imensidão do mar.

Nostálgico, tomo-me pela emoção ao perceber que nada mais belo do que paredes esburacadas e oferecidas, que fazem-nos sonhar com aquilo que somente existe em nossos pensamentos vagos; em nossos devaneios soporíferos, causados pela insensata embriagues dos vinhos e do sono.


Reflexivamente,
Gê!

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